Do meu ponto de vista, é impossível entender o Brasil sem que se leia (pelo menos) três grandes intérpretes deste país: Florestan Fernandes, Celso Furtado e Raymundo Faoro. Dentre estes três, contudo, Florestan é, de longe, o mais hermético. Alguns de seus trabalhos são quase impenetráveis e já nos confundem pelo título. Quem pode questionar que o Brasil passou por um processo de “Formação Econômica”? Ou questionar a existência de um patronato político que opera como “Donos do Poder”? ... Não creio que este títulos/sínteses mereçam contestação ou dúvida. Mas quantos admitiriam sem pestanejar que houve uma Revolução Burguesa no Brasil? Quantos admitiriam que a “Independência .... constitui a primeira grande revolução social que se operou no Brasil” ou que “o liberalismo foi a força cultural viva da revolução nacional brasileira”? .... Poucos. Muito poucos. Tão poucos que Florestan, no Prefácio à segunda edição de sua obra maior reconheceu que seu tratamento era falho “1) quanto ao passado colonial; 2) quanto aos momentos de conexão desse passado com a eclosão da fase de transição neo-colonial”. E com ele mesmo anuncia neste Prefácio, ele vai “arredondar a conta .. em um pequeno estudo, em vias de publicação [no qual’] ... fechei o círculo que fica aberto na exposição contida neste livro”. (Fernandes, RBB, 1981, p. 7). Este trabalho - que perfaz o primeiro capítulo do (infelizmente, pouco conhecido) O Circuito Fechado – é reproduzido aqui.