Um dos resultados mais instigantes da Pesquisa "Investigação acerca dos determinantes dos diferenciais de desempenho socioeconômico dos municípios gaúchos entre 1970 e 2000" foi a descoberta de que a especialização produtiva agropecuária dos municípios no início apresenta uma grande influência sobre a dinâmica posterior.
Mas o mais interessante foi observar que os territórios não convergem para as especilizações produtivas que alimentam processos virtuosos (pecuária leiteira, avicultura, suinocultura, etc.). De um lado, isto pode ser explicado pelo fato de que nem sempre as atividades com maior poder multiplicativo são aquelas que geram a máxima rentabilidade para o produtor. Este parece ser o caso do tabaco, cujo poder de indução de atividades urbanas é mínimo, mas parece garantir uma renda ao produtor rural pelo menos tão elevada quanto as atividades da pecuária estabulada.
Contudo, o mais surpreendente foi o fato de largos territórios caracterizados por uma estrutura fundiária pouco concentrada se especializarem em atividades agrícolas relativamente exigentes em área e relativamente poupadores de mão-de-obra (como o binômio soja-trigo, que caracteriza o Noroeste riograndense). Este padrão de especialização parece ser contraditório, senão com a sinalizações de mercado, pelo menos com o que a literatura econômica propõe que deveriam ser estas sinalizações.
Buscando entender os determinantes do apego de regiões caracterizadas pela agricultura familiar a atividades poupadoras de mão-de-obra e avaliar as consequências desta especialização (aparentemente) perversa é que propusemos o projeto de pesquisa anexo. O IPEA concordou em financiar a pesquisa por 9 meses, a partir de outubro de 2009. Como entendemos que o prazo é exíguo, inviabilizando a plena exploração do material disponível, estamos solicitando ampliação do prazo e já enviamos o mesmo projeto para avaliação do CNPq.