Produção Teórica

2008 - Valor, Preços e Distribuição: de Ricardo a Marx, de Marx a nós

A questão do "estatuto ontológico" da Economia - é uma ciência? uma ciência em construção? uma construção ideológica? um discurso normativo?, etc. - foi "o" meu objeto por mais de 20 anos. Na verdade, desde que entrei no curso de Economia, esta questão me obcecou.  Optei por Economia (em detrimento de Direito, História ou Ciências Sociais) porque achava que a triste ciência era a chave para a compreensão da História, da Política, da Sociedade. Mas quão boa é uma chave que muda de forma, método, conteúdo e conclusões a cada "paradigma"? .... Como eleger uma leitura em detrimento da outra? Qual a "mais" científica? E quão científica é a "mais científica"?

Estas perguntas estruturam todas as minhas pesquisas, desde a Iniciação Científica, na Graduação, até o Doutorado. E, ao longo de todo o período, um método se impôs: avaliar a disputa de paradigmas a partir da Teoria da Distribuição. Afinal, este era o tema mais controverso e um dos mais palmilhados da Teoria Econômica (Ricardo chega a definir Economia Política como a ciência que estuda a distribuição da renda). E nenhuma escola do pensamento pode se constituir sem uma teoria da distribuição. Em nenhuma outra parte da triste ciência os fundamentos dos desacordos estariam mais claros. Minha intenção era buscar os "axiomas" e os "algorítimos lógicos" utilizados pelos distintos teóricos na construção de seus modelos distributivos. E perquerir estes axiomas e algorítimos com vistas a identificar os fundamentos (ideológicos? lógicos? epistemológicos?) de suas diferenças.

Como não poderia deixar de ser, um tema tão vasto só alcançou ser "domado" no Doutorado. Creio, porém, que a empreitada foi bem sucedida, e que consegui trazer à luz as fundações das construções alternativas no plano da Teoria da Distribuição. E alicerço esta minha crença no fato de que os resultados finais da pesquisa me foram particularmente surpreendentes: descobri que as "teorias alternativas" são muito menos "alternativas" do que parecem. Há muito mais consenso em Economia do que um leigo (ou um economista que só tomou contato com Marshall e Marx por seus intérpretes) poderia suspeitar. É o que procuro demonstrar neste trabalho, publicado pela Fundação de Economia e Estatística em 2008.

 

 2008 - FEE - Valor, Preços e Distribuição: de Ricardo a Marx, de Marx a nós

Como desdobramento de meu trabalho de doutorado, produzi diversos papers sobre o tema da "Ciência Econômica" e sua(s) metodologia(s). Dentre estes, tenho particular apreço pelo primeiro capítulo (e seu apêndice) do Noções de Economia / Manual do Candidato para o concurso do Instituto Rio Branco.  Acho que a grande vantagem desta versão se encontra no esforço que me impus ao escrever sobre um tema tão complexo para um leitor, simultaneamente, culto e curioso, mas leigo em Economia. O exercício foi deveras instigante. Recomendo este texto para os que estão iniciando o seu estudo da Economia e querem tomar contato com o debate clássico sobre o "estatuto ontológico" da "polêmica ciência".

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