cadastro online

enviar
Lattes Fale Conosco

Acessos: 7.546

Diversos

Carta Testamento de Marcos Palombini

No dia 21 de outubro de 2009, uma matéria na Zero Hora anunciava e antecipava as principais conclusões de um trabalho de pesquisa que venho desenvolvendo com dois professores da Unijuí - Dilson Trennepohl e Benedito Neto - sobre o impacto diferenciado das especializações produtivas agropecuárias na multiplicação da renda regional. (A reportagem encontra-se disponível neste mesmo site em "Novidades e Opiniões / Reportagens / 2009-10-21 Zero Hora.)

Para minha sorte, o ex-prefeito de Vacaria e ex-Secretário da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, senhor Marcos Palombini, leu a matéria (escrita com muita competência pelo jornalista Caio Cigana) e percebeu a grande convergência de opiniões entre nós. Uma convergência cada vez mais rara, num mundo que não cessa de fetichizar o "high tech" (de preferência, quando embalado por plantas multinacionais atraídas com dinheiro do povo), enquanto trata a agropecuária como o passado vergonhoso que devemos superar com a maior rapidez possível.

Poucos dias depois, recebi uma longa missiva do senhor Palombini, que se utilizou de veículos cada vez mais raros: papel impresso, máquina de escrever e Correio. Meu ímpeto foi o de responder imediatamente. A leitura do texto me fascinou, acrescentando diversos elementos às teses que eu mesmo vinha e venho esgrimindo há algum tempo. Mas - sem perceber que o autor enviava para mim, ao final da carta impressa, um endereço de email - imaginei que o senhor Palombini não utilizasse este recurso e adiei a resposta que tanto ansiava por dar.

Adiei demais. No dia 4 de dezembro de 2009 todos os jornais do Estado anunciavam o falecimento deste grande homem, vítima de ataque cardíaco aos 75 anos de idade.  Sem dúvida, o RS perde um grande gaúcho, com uma visão rara e realmente original de desenvolvimento. E - apesar de nunca termos nos encontrado, nunca termos nos visto ou falado um com o outro - eu sinto que perdi mais do que um aliado. Perdi um amigo; pois a amizade é feita, acima de tudo, de sonhos, expectativas, utopias e compromissos éticos, políticos, cívicos  comuns.  

Não posso mais pedir a autorização do "amigo Marcos" para publicar sua carta. Mas também não poderia abandoná-la ao limbo das missivas privadas, pessoais, pois, efetivamente, ela não o é. Ela é uma carta para o Rio Grande, de um homem que aos 75 anos ainda buscava aliados para um embate contra o senso comum hegemônico. Me senti honrado com a deferência deste grande homem. Procuro, agora, retribuir, com o mesmo respeito, dando publicidade às suas oportunas e atuais reflexões.

 

 

 

voltar